Escassez de memória e armazenamento: por que RAM e SSD estão tão caros?

Entenda por que a RAM e o SSD encareceram: a escassez de memória e a demanda de IA elevam preços. Saiba como se preparar para a crise em 2026 e além agora!.

Hudson Oliveira

4/23/20265 min ler

SODIMM RAM stick
SODIMM RAM stick

O que está acontecendo? A explosão da demanda por IA e dados

Como a IA consome memória

O avanço da IA generativa e de aplicativos de big data está puxando o consumo de memória a níveis inéditos. A construção de data centers de IA por empresas como Meta, Google e Microsoft absorveu grande parte da produção de chips, elevando os preços e reduzindo o fornecimento para dispositivos de consumo. Esses data centers exigem módulos com grande capacidade e alta velocidade para treinar e executar modelos de linguagem e visão.

Além disso, a procura por inteligência no dispositivo (edge computing) coloca NPUs e chips dedicados em smartphones e laptops, aumentando a necessidade de NAND flash e DRAM. De acordo com especialistas do setor, a integração de IA em wearables, robôs e automóveis demanda cada vez mais armazenamento local para modelos e dados.

O papel do NAND na IA

A tecnologia NAND flash é a espinha dorsal dessa revolução. Segundo a AceComputers, os wafers de NAND fornecem armazenamento de alta capacidade, velocidade e eficiência energética para suportar os conjuntos de dados e modelos complexos necessários à IA. A tecnologia empilha células verticalmente em centenas de camadas e reduz o consumo de energia, permitindo que grandes modelos cabam em chips e sejam executados no edge.

Com a demanda de IA explodindo, os fornecedores redirecionam seus wafers para produtos de maior margem, deixando menos oferta para SSDs de consumo. É a velha lei da oferta e procura em ação.

Como isso afeta você: preços nas alturas e falta de produtos

Preços e remessas despencando

A crise de memória já afeta o mercado de dispositivos. Um relatório recente prevê que os embarques globais de smartphones cairão 12,9% em 2026 devido à alta dos preços de memória. Como resultado, os consumidores verão o preço médio dos smartphones subir 14%, atingindo um recorde de US$ 523. A International Data Corporation (IDC) alerta que modelos abaixo de US$ 100 tornar‑se‑ão inviáveis, mesmo quando os preços se estabilizarem.

Para computadores pessoais, a Deloitte observa que o mercado de PCs pode encolher até 9% em 2026, com aumentos de preço e escassez de chips de memória. Isso significa menos opções e valores mais altos para quem pretende montar ou atualizar um desktop.

Especificações escondidas e cortes silenciosos

Com a oferta limitada, alguns fabricantes mantêm o valor dos produtos, mas diminuem a capacidade de RAM ou SSD para parecer que nada mudou. O AceComputers aconselha os consumidores a ficarem atentos a cortes sutis de especificação e lembra que os preços não devem cair tão cedo. Comprar sem comparar pode resultar em um aparelho novo com menos memória do que o modelo anterior.

Quem está por trás da crise? Estratégias das fabricantes de chips

A escassez atual não é obra do acaso. Grandes fornecedores de semicondutores estão ajustando intencionalmente a produção para maximizar ganhos:

  • Samsung está reduzindo a oferta de NAND e empurrando os preços para cima enquanto migra para memória de quatro bits por célula (QLC) para atender à demanda de IA.

  • Micron diminui a produção de NAND e se coordena com outros atores para proteger suas margens de lucro.

  • Seagate aproveita a escassez para expandir suas ofertas de SSD voltados a empresas de IA, concentrando‑se em soluções de alto desempenho.

Somam‑se a isso as compras agressivas de gigantes de tecnologia para atender a data centers de IA, exaurindo o estoque para consumidores comuns.

O que esperar para 2026 e além

Especialistas indicam que a crise de memória deve perdurar pelo menos até 2027. A IDC prevê uma recuperação modesta de 2% nas remessas de smartphones em 2027, seguida de 5,2% em 2028, mas alerta que o mercado não voltará aos padrões anteriores. A Deloitte também projeta uma retração de até 5% nas remessas de smartphones em 2026 e preços médios em torno de US$ 465.

Para PCs, analistas estimam que a volatilidade continue até meados de 2027, quando novas fábricas e tecnologias de produção possam aumentar a oferta de memória. Mesmo assim, a tendência de preços elevados e produtos premium deve permanecer.

Como se proteger: dicas para consumidores e profissionais

Ainda que o cenário pareça desanimador, há maneiras de mitigar os efeitos da escassez e tomar decisões mais inteligentes:

1. Planeje suas compras

  • Evite compras de impulso: se o seu dispositivo atual atende às necessidades, considere esperar por uma estabilização dos preços.

  • Acompanhe promoções sazonais: aproveite datas como Prime Day, Black Friday e campanhas de volta às aulas para conseguir descontos melhores.

2. Verifique as especificações ocultas

  • Compare modelos do mesmo fabricante para ver se houve redução de RAM ou armazenamento em novas versões.

  • Prefira produtos com memória expansível (slots de RAM e baías livres para SSD) para permitir upgrades futuros.

3. Considere opções usadas ou recondicionadas

  • Equipamentos seminovos podem oferecer melhor relação custo‑benefício, especialmente notebooks corporativos com SSDs de qualidade.

4. Explore alternativas de armazenamento

  • Serviços de cloud storage podem suprir parte da necessidade de espaço, embora não resolvam a falta de RAM.

  • HDs externos e SSDs portáteis continuam mais baratos por GB e podem aliviar a pressão sobre o armazenamento interno.

5. Para profissionais e gamers

  • Avalie investir em máquinas workstation com maior capacidade hoje, já que os preços podem subir mais no curto prazo.

  • Para servidores pessoais ou NAS, planeje a compra de módulos de memória e drives extras antes que os estoques se esgotem.

Conclusão

A escassez de memória e o aumento dos preços de RAM e SSD em 2026 resultam de um ciclo de forte demanda por IA, oferta limitada de wafers e políticas agressivas de fabricantes. Esse cenário deve se prolongar por mais um ou dois anos, com impactos diretos nos preços de smartphones e PCs. Consumidores e empresas devem estar atentos às especificações, planejar upgrades com antecedência e considerar alternativas para mitigar custos. Ao compreender as causas e as previsões, você pode tomar decisões mais informadas e evitar surpresas desagradáveis.

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